A GÊNESE - CAPÍTULO NONO 1806

não foi senão local; que não pôde ser causado pela chuva, porque, por abundante e contínua que pudesse ser, durante quarenta dias, o cáculo prova que a quantidade de água caída não poderia ser bastante grande para cobrir toda a Terra, até mesmo por cima das mais altas montanhas.

Para os homens de então, que não conheciam senão uma fração muito limitada da superfície do globo, e que não tinham nenhuma idéia de sua configuração, desde o instante que a inundação invadiu os países conhecidos, para eles deveria sê-lo em toda a Terra. Se a esta crença se junta a forma figurada e hiperbólica particular ao estilo oriental, não será surpresa o exagero do relato bíblico.

5. – O dilúvio asiático, evidentemente, é posterior à aparição do homem sobre a Terra, uma vez que a sua memória foi conservada pela tradição entre todos os povos dessa parte do mundo, que o consagraram em suas teogonias (1).

E é, igualmente, posterior ao grande dilúvio universal, que marcou o período geológico atual; e quando se fala de homens e animais antediluvianos, isto se entende desse primeiro cataclismo.

REVOLUÇÕES PERIÓDICAS

6. – Além do seu movimento anual, ao redor do Sol, que produz as estações, o seu movimento de rotação sobre si mesma em 24 horas, que produz o dia e a noite,


(1) A lenda indiana sobre o dilúvio conta, segundo o livro dos Vedas, que Brahma, transformado em peixe, dirigiu-se ao piedoso monarca Vaivaswata; ele lhe disse: "O momento da dissolução do Universo chegou; logo tudo o que existe sobre a Terra estará destruído. É necessário que construas um navio no qual embarcarás, depois de pegar contigo os grãos de todos os vegetais. Esperar-me-ás sobre esse navio, e eu virei a ti tendo sobre a cabeça um corno que me fará reconhecer. "O santo obedeceu; construiu um navio, nele embarcou, e o ligou, por um cabo muito forte, ao corno do peixe. O navio foi arrastado durante vários anos, com uma extrema rapidez, no meio das trevas de uma tempestade pavorosa, e abordou, enfim, o cume do monte Himawat (Himalaia). Brahma recomendou em seguida a Vaivaswata para criar todos os seres e repovoar a Terra.

A analogia desta lenda com o relato bíblico de Noé é e vidente; da Índia passara ao Egito, como uma multidão de outras crenças. Ora, como o livro dos Vedas é anterior ao de Moisés, o relato que nele se encontra do dilúvio não pode ser uma imitação deste último. É, pois, provável que Moisés, que estudara a doutrina dos sacerdotes egípcios, hauriu o seu entre eles.