A GÊNESE - CAPÍTULO NONO 1808

pólos da Terra não olham constantemente os mesmos pontos do céu; que a estrela polar não será sempre a estrela polar; que os pólos estão, gradualmente, mais ou menos inclinados para o Sol, e dele recebem raios mais ou menos diretos; de onde se segue que e Islândia e a Lapônia, por exemplo, que estão sob o círculo polar, poderão, num tempo dado, receber os raios solares como se estivessem na latitude da Espanha e da Itália, e que, na posição oposta extrema, a Espanha e a Itália poderiam ter a temperatura da Islândia e da Lapônia, e assim por diante em cada renovação do período de 25.000 anos (1).

9. – As conseqüências desse movimento não pôde ainda ser determinada com precisão, porque não se pôde observar senão uma fraca parte de sua revolução; não há, pois, a esse respeito, senão presunções, das quais algumas têm uma certa probabilidade.

Essas conseqüências são:

1º O aquecimento e o resfriamento alternado dos pólos e, por seqüência, a fusão dos gelos polares durante a metade do período de 25.000 anos, e a sua formação de novo durante a outra metade desse período. De onde resultaria que os pólos não estariam votados a uma esterilidade perpétua, e gozariam, por seu turno, dos benefícios da fertilidade.

2º O deslocamento gradual do mar, que invade pouco a pouco as terras, ao passo que descobre outras, para abandoná-las de novo e reentrar em seu antigo leito. Esse movimento periódico, renovado indefinidamente, constituiria uma verdadeira maré universal de 25.000 anos.

A lentidão com a qual se opera esse movimento do mar torna-o quase imperceptível para cada geração; mas é sensível ao cabo de alguns séculos. Não pode causar nenhum cataclismo súbito, porque os homens se retiram, de


chamadas constelações zodiacais ou signos do zodíaco, e elas formam um círculo no plano do equador terrestre. Segundo o mês de nascimento de um indivíduo, dizia-se que nascera sob tal signo: daí os prognósticos da astrologia. Mas, em conseqüência da precessão dos equinócios, ocorre que os meses não correspondem mais às mesmas constelações; um, que nasceu no mês de julho, não está mais no signo de Leão, mas no de Câncer. Assim caiu a idéia supersticiosa ligada à influência dos signos. (Cap. V, nº 12).

(1) O deslocamento gradual das linhas isotérmicas, fenômeno reconhecido pela ciência de maneira tão positiva quanto o deslocamento do mar, é um fato material em apoio a essa teoria.