A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO 1816

Por outro lado, a vida de um indivíduo, sobretudo de um indivíduo nascente, está submetida a tantas eventualidades, que toda uma criação poderia ser comprometida, sem a pluralidade dos tipos, o que implicaria numa imprevidência inadmissível da parte do soberano Criador. Aliás, se um tipo se formou sobre um ponto, ele pode ter se formado sobre vários pontos pela mesma causa.

Tudo concorre, pois, para provar que houve criação simultânea e múltipla dos primeiros casais de cada espécie animal e vegetal.

3. – A formação dos primeiros seres vivos pode-se deduzir, por analogia, da mesma lei segundo a qual se formaram, e se formam todos os dias, os corpos inorgânicos. À medida que se aprofunda as leis da Natureza, vêem-se-lhes os mecanismos que, à primeira vista, parecem tão complicados, se simplificarem e se confundirem na grande lei da unidade que preside a toda obra da criação. Compreender-se-á melhor quando se der conta da formação dos corpos inorgânicos, que dela foi o primeiro degrau.

4. – A química considera como elementares um certo número de substâncias, tais como: o oxigênio, o hidrogênio, o   azoto,  o  carbono, o cloro, o iodo, o flúor, o enxofre, o fósforo e todos os metais. Pela sua combinação, formam corpos compostos: os óxidos, os ácidos, os álcalis, os sais e as inumeráveis variedades que resultam da combinação destes.

A combinação de dois corpos para formar deles um terceiro exige um concurso particular de circunstâncias: seja um grau determinado de calor, de secura ou de umidade, seja o movimento ou o repouso, seja uma corrente elétrica, etc. Se essas condições não existem, a combinação não ocorre.

5. – Quando  há  combinação,  os  corpos componentes perdem as suas  propriedades  características,  ao passo que o composto, que deles resulta, as possui novas, diferentes das dos primeiros. É assim, por exemplo, que o oxigênio e o hidrogênio, que são gases invisíveis, estando combinados quimicamente, formam a água, que é líquida, sólida ou vaporosa, segundo a temperatura. Na água não há mais, propriamente falando, nem oxigênio e nem hidro-