A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-PRIMEIRO 1832

Aqui, os meios de investigação fazem absolutamente falta, como em tudo o que se prende ao princípio das coisas. O homem não pode constatar senão o que existe; sobre todo o resto, não pode emitir senão hipóteses; e seja que esse conhecimento ultrapasse a capacidade de sua inteligência atual, seja que há para ele inutilidade ou inconveniência em possuí-lo para o momento, Deus não lho dá, mesmo pela revelação.

O que Deus lhe faz dizer, pelos seus mensageiros, e o que, aliás, o homem poderia deduzir, ele mesmo, do princípio da soberana justiça, que é um dos atributos essenciais da Divindade, é que todos têm um mesmo ponto de partida; que todos são criados simples e ignorantes, com uma igual aptidão para progredir pela sua atividade individual; que todos atingirão o grau de perfeição compatível com a criatura pelos seus esforços pessoais; que todos, sendo filhos de um mesmo Pai, são o objeto de uma igual solicitude; que não há nenhum mais favorecido ou melhor dotado que os outros, e dispensado do trabalho que seria imposto a outros para alcançar o objetivo.

8. – Ao mesmo tempo que Deus criou mundos materiais de toda a eternidade, igualmente criou seres espirituais de toda a eternidade; sem isso, os mundos materiais estariam sem objetivo. Conceber-se-ia antes os seres espirituais sem os mundos materiais, que estes últimos sem os seres espirituais. São os mundos materiais que devem fornecer aos seres espirituais os elementos da atividade para o desenvolvimento de sua inteligência.

9. – O progresso é a condição normal dos seres espirituais, e a perfeição relativa o objetivo que devem alcançar; ora, Deus tendo criado de toda a eternidade, e criando sem cessar, de toda a eternidade também terá havido os que alcançaram o ponto culminante da escala.

Antes que a Terra existisse, mundos haviam sucedido os mundos, e quando a Terra saiu do caos dos elementos, o espaço estava povoado de seres espirituais, em todos os graus de adiantamento, desde aqueles que nasciam para a vida, até aqueles que, de toda a eternidade, tomaram lugar entre os puros Espíritos, vulgarmente chamados anjos.

UNIÃO DO PRINCÍPIO ESPIRITUAL E DA MATÉRIA

10. – Devendo a matéria ser o objeto de trabalho do