A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-PRIMEIRO 1834

gue e o corpo morre. O Espírito, para quem o corpo privado de vida é doravante sem utilidade, deixa-o como se deixa uma casa em ruína ou uma veste fora de serviço.

14. –  O corpo não é, pois, senão um envoltório destinado a receber o  Espírito;  desde   então,   pouco  importam a sua origem e os materiais de que é construído. Que o corpo do homem seja uma criação especial ou não, não deixa de  ser formado com os mesmos elementos que o dos animais, animado do mesmo princípio vital, de outro modo dito, aquecido pelo mesmo fogo, como é alumiado pela mesma luz, sujeito às mesmas vicissitudes e às mesmas necessidades: é um ponto sobre o qual não há contestação.

A não considerar senão a matéria, e fazendo abstração do Espírito, o homem não tem, pois, nada que o distingue do animal; mas tudo muda de aspecto fazendo-se uma distinção entre a habitação e o habitante.

Um grande senhor, sob o colmo ou vestido com o burel de um camponês, com isso não se acha menos grande senhor. Ocorre o mesmo com o homem; não é a sua vestimenta de carne que o eleva acima do animal e dele faz um ser à parte, é o seu ser espiritual, o seu Espírito.

HIPÓTESE SOBRE A ORIGEM DOS CORPOS HUMANOS

15. – Da semelhança  de  formas  exteriores  que existem   entre  o corpo do homem e o do macaco, certos fisiologistas concluíram que o primeiro não era senão uma transformação  do segundo. Nisso não há nada de impossível, sem que, se assim o for, a dignidade do homem tenha algo  a sofrer.  Corpos  de  macacos puderam muito bem servir  de vestimenta aos primeiros Espíritos humanos, necessariamente pouco avançados, que vieram se encarnar sobre a Terra, sendo essas vestimentas os meios apropriados  às suas  necessidades e mais próprios ao exercício   de  suas faculdades que o corpo de nenhum outro animal.  Em lugar de que   uma vestimenta especial fosse feita para o Espírito, nele encontrou uma inteiramente pronta. Deve,  pois, ter-se vestido com  a   pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, como  o   homem   se reveste, às vezes, com a pele de certos animais, sem deixar de ser homem.