A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-PRIMEIRO 1837

rem mesmo uma penetração maior, ao passo que o princípio de vida está extinto no corpo, é a prova evidente de que o princípio vital e o princípio espiritual são duas coisas distintas.

19. – O Espiritismo nos ensina, pelos fatos que nos faculta observar, os fenômenos que acompanham essa separação; algumas vezes, ela é rápida, fácil, doce e insensível; de outras vezes, é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, segundo o estado moral do Espírito, e pode durar meses inteiros.

20. – Um fenômeno particular, igualmente assinalado pela observação, acompanha sempre a encarnação do Espírito. Desde que este é preso pelo laço fluídico que o liga ao germe, a perturbação se apodera dele; essa perturbação cresce à medida que a laço se aperta, e, nos últimos momentos, o Espírito perde toda a consciência de si mesmo, de sorte que ele nunca é testemunha consciente de seu nascimento. No momento em que a criança respira, o Espírito começa a recobrar as suas faculdades, que se desenvolvem à medida que se formam e se consolidam os órgãos que devem servir para a sua manifestação.

21. – Mas,  ao   mesmo   tempo que o Espírito recobra a   consciência  de  si mesmo, ele   perde  a   lembrança de seu   passado,  sem   perder as faculdades, as qualidades e as  aptidões  adquiridas  anteriormente, aptidões que estavam, momentaneamente, estacionadas em seu estado latente  e que,  em retomando a sua atividade, vão ajudá-lo a fazer mais e   melhor do que o fazia precedentemente; ele renasce  o que   se   fez   pelo seu trabalho anterior, é, por isso, um novo ponto de partida, um novo degrau a subir. Aqui ainda se manifesta a bondade do Criador, porque a lembrança de um passado, freqüentemente penoso ou humilhante, juntando-se às amarguras de sua nova existência,  poderia  perturbá-lo   ou  entravá-lo;  ele não se lembra  senão   daquilo  que aprendeu, porque isso lhe é útil. Se, algumas vezes, conserva uma vaga intuição dos acontecimentos passados, é como a lembrança  de  um  sonho fugidio. É, pois, um homem novo, por ancião que seja o seu Espírito, ele se apóia sobre novos hábitos,  com a ajuda  dos  que adquiriu. Quando  ele   entra na vida espiritual, o seu passado se desenrola  aos  seus  olhos,  e  julga  se  empregou bem ou mal o seu tempo.