A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-PRIMEIRO 1841

uma tarefa material, de início inconsciente, depois gradativamente inteligente. Por toda a parte, a atividade no mundo espiritual, em nenhuma parte a ociosidade inútil.

A coletividade dos Espíritos, de alguma sorte, é a alma do Universo; é o elemento espiritual que age em tudo e por toda parte, sob o impulso do pensamento divino. Sem esse elemento, não há senão a matéria inerte, sem objetivo, sem inteligência, sem outro motor que as forças materiais que deixam uma multidão de problemas insolúveis; pela ação do elemento espiritual individualizado, tudo tem um objetivo,  uma razão de ser, tudo se explica; eis porque, sem a espiritualidade, tropeça-se com dificuldades insuperáveis.

29. – Quando a Terra se encontrou nas condições climatéricas próprias à existência da espécie humana, os Espíritos humanos nela se encarnaram. De onde vinham? Que esses Espíritos foram criados nesse momento; que vieram todos formados da Terra, do espaço ou de outros mundos, a sua presença depois de um tempo limitado é um fato, uma vez que, antes deles, não havia senão animais; eles se revestiram de corpos apropriados às suas necessidades especiais, às suas aptidões, e, fisiologicamente, pertencem à animalidade; sob a sua influência, e pelo exercício de suas faculdades, esses corpos se modificaram e se aperfeiçoaram: eis o que resulta da observação. Deixemos, pois, de lado a questão da origem, ainda insolúvel para o momento; tomemos o Espírito, não em seu ponto de partida, mas naquele em que os primeiros germes do livre arbítrio e do senso moral nele se manifestando, vê-mo-lo desempenhando seu papel humanitário, sem nos inquietar com o meio onde passou o seu período de infância ou, querendo-se, de incubação. Apesar da analogia do seu envoltório com o dos animais, as faculdades morais e intelectuais que o caracterizam, saberemos distingui-los destes últimos, como sob a mesma vestimenta de lã, distinguimos o camponês do homem civilizado.

30. – Se bem que os primeiros que vieram devem ter sido pouco avançados, em razão mesmo de que deveriam se encarnar em corpos muito imperfeitos, deveria haver entre eles diferenças sensíveis nos caracteres e nas aptidões. Os Espíritos similares, naturalmente, se agruparam por analogia e por simpatia. A Terra encontrou-se assim povoada