A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-PRIMEIRO 1843

REENCARNAÇÕES

33. – O princípio da reencarnação é uma conseqüência necessária da lei do progresso. Sem a reencarnação, como explicar a diferença que existe entre o estado social atual e o dos tempos de barbárie? Se as almas são criadas ao mesmo tempo que o corpo, as que nascem hoje são também todas novas, tão primitivas como aquelas que viviam há mil anos; acrescentemos que não haveria, entre elas, nenhuma conexão,  nenhuma  relação necessária; que seriam completamente independentes umas das outras; por que, pois, as almas de hoje seriam melhor dotadas por Deus do que as suas predecessoras? Por que compreendem melhor?

Por que têm instintos mais depurados, costumes mais doces? Por que têm intuição de certas coisas sem havê-las aprendido? Desafiamos a sair daí, a menos que se admita que Deus criou almas de diversas qualidades, segundo os tempos e os lugares, proposição inconciliável com a idéia de uma soberana justiça. (Cap. II, nº 19).

Dizei, ao contrário, que as almas de hoje já viveram em tempos recuados; que puderam ser bárbaras como o seu século,  mas  que progrediram; que à cada nova existência elas trazem o que adquiriram em existências anteriores; que, conseqüentemente as almas dos tempos civilizados são almas não criadas mais perfeitas, mas que se aperfeiçoaram, elas mesmas, com o tempo, e tereis a única explicação plausível da  causa   do  progresso social. (O  Livro dos   Espíritos, caps. IV e V).

34. – Algumas pessoas pensam que as diferentes existências da alma se cumprem de mundo a mundo, e não sobre um mesmo globo, onde cada Espírito não aparece senão uma única vez.

Esta doutrina   seria admissível, se todos os habitantes da Terra estivessem no mesmo nível intelectual e moral; não poderiam então progredir senão indo para um outro mundo, e a sua reencarnação sobre a Terra seria inútil; ora, Deus nada faz de inútil. Desde o instante em que ali se encontrem todos os  graus   de inteligência e de moralidade, desde a selvageria que ladeiam o animal até a mais avançada civilização, ela oferece um campo vasto de progresso;  perguntar-se-ia por que o selvagem seria obriga-