O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 185

propuseram: os bons pelo desejo de fazer o bem, os maus pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os que se lhe assemelham.

Tal uma grande cidade onde os homens de todas as categorias e de todas as condições se vêem e se encontram sem se confundirem; onde as sociedades se formam pela analogia de gostos; onde o vício e a virtude convivem sem se falarem.

279 – Todos os Espíritos têm, reciprocamente, acesso uns entre os outros?

– Os bons vão por toda a parte, e é preciso que seja assim para que possam exercer sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que estes não as perturbem com suas más paixões.

280 – Qual a natureza das relações entre os bons e os maus Espíritos?

– Os bons empenham-se no combate das más inclinações dos outros, a fim de ajudá-los a subir; é uma missão.

281 – Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos levar ao mal?

– Por inveja de não terem mérito de estarem entre os bons. Seu desejo é impedirem, o quanto possam, os Espíritos inexperientes de alcançarem o bem supremo; querem que os outros experimentem aquilo que eles mesmos experimentam. Não vedes o mesmo entre vós?

282 – Como os Espíritos se comunicam entre si?

– Eles se vêem e se compreendem, a palavra é material: é o reflexo do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o veículo da transmissão do pensamento, como para vós o ar é o veículo do som; uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite aos Espíritos corresponderem-se de um mundo ao outro.

283 – Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimularem seus pensamentos? Podem se ocultar uns dos outros?