O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 186

– Não, para eles tudo está a descoberto, sobretudo aos que são perfeitos. Podem se distanciar mas se vêem sempre. Isto, entretanto, não é uma regra absoluta, pois certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para outros Espíritos, se julgam útil fazê-lo.

284 – Como os Espíritos que não têm mais corpo, podem constatar sua individualidade e se distinguir dos outros seres espirituais que os cercam?

– Constatam sua individualidade pelo perispírito que faz os seres distintos uns dos outros, como o corpo entre os homens.

285 – Os Espíritos se conhecem por terem coabitado a Terra? O filho reconhece o pai, o amigo, seu amigo?

– Sim, e assim de geração a geração.

– Como os homens que se conheceram sobre a Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos?

– Vemos nossa vida passada e a lemos como num livro; vendo o passado de nossos amigos e de nossos inimigos, vemos sua passagem da vida para a morte.

286 – A alma, deixando seus despojos mortais, vê imediatamente seus parentes e seus amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?

– Imediatamente não é sempre a palavra; pois como vos dissemos, ela precisa de algum tempo para se reconhecer e sacudir o véu material.

287 – Como é acolhida a alma em seu regresso ao mundo dos Espíritos?

– A do justo como um irmão bem-amado esperado há longo tempo; a do perverso como um ser que se enganou.

288 – Que sentimentos experimenta um Espírito impuro à chegada de um outro mau Espírito?

– Os perversos ficam satisfeitos de ver os seres à sua imagem e privados, como eles, da felicidade infinita, qual sobre a Terra, um velhaco entre seus iguais.