O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VI - VIDA ESPÍRITA 188

há mais antipatia entre eles, o motivo da discussão não mais existindo, podem rever-se com prazer.

Como dois escolares chegados à idade da razão, reconhecem a puerilidade das desavenças que tiveram na infância e deixam de se malquerer.

294 – A lembrança das más ações que dois homens cometeram um contra o outro, é um obstáculo à sua simpatia?

– Sim, ela os leva a se distanciarem.

295 – Que sentimentos experimentam depois da morte aqueles a quem fizemos mal aqui neste mundo?

–  Se são bons, perdoam de acordo com o vosso arrependimento. Se são maus, podem conservar ressentimento e, algumas vezes, vos perserguir até em uma outra existência. Deus pode permiti-lo como um castigo.

296 – As afeições de cada Espírito são suscetíveis de alteração?

– Não, pois eles não podem se enganar; não tem mais a máscara sob a qual se escondem as hipocrisias. Por isso, suas afeições são inalteráveis, quando são puros. O amor que os une lhes é uma fonte de suprema felicidade.

297 – A afeição que duas pessoas se dedicam neste mundo continuará sempre no mundo dos Espíritos?

– Sim, sem dúvida, se ela se alicerça sobre uma simpatia verdadeira; mas se as causas físicas foram maiores que a simpatia, ela cessa com a causa. As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e mais duráveis que sobre a Terra, porque não estão  mais subordinadas  aos caprichos  dos interesses materiais e do amor-próprio.

298 – As almas que deverão se unir estão predestinadas a essa união, desde sua origem e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade à qual se reunirá fatalmente, um dia?

– Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram:  quanto  mais  perfeitos,  mais