A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO 1881

cebida que os torna impróprios para julgar sadiamente o Espiritismo, porque   partem   do   princípio   da  negação de tudo o que não é material.

11. – Do fato de o Espiritismo admitir os efeitos que são a conseqüência da existência da alma, não se segue que ele aceita todos os efeitos qualificados de maravilhosos, e entenda justificá-los e acreditá-los; que seja o campeão de todos os sonhadores, de todas as utopias e de todas as excentricidades sistemáticas, de todas as lendas miraculosas; seria necessário conhecê-lo bem pouco para pensar assim. Seus adversários crêem opor-lhe argumento sem réplica, quando, depois de terem feito eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint-Médard, os calvinistas de Cévennes ou os religiosos de Loudun, chegaram a descobrir fatos patentes de fraude que ninguém contesta; mas essas histórias são o Evangelho do Espiritismo? Seus partidários negam que o charlatanismo haja explorado certos fatos em seu proveito; que a imaginação os haja criado; que o fanatismo os tenha exagerado muito? Ele não é solidário com as extravagâncias que se podem cometer em seu nome, como a verdadeira ciência não o é quanto aos abusos da ignorância, nem a verdadeira religião quanto aos excessos do fanatismo. Muitos críticos não julgam o Espiritismo senão pelos contos de fadas e as lendas populares, que dele são as ficções; outro tanto valeria julgar a história pelos romances históricos ou as tragédias.

12. – Os fenômenos espíritas são, o mais freqüentemente, espontâneos e se produzem sem nenhuma idéia preconcebida nas pessoas que neles menos pensam; em certas circunstâncias, eles podem ser provocados por agentes designados sob o nome de médiuns; no primeiro caso, o médium é inconsciente, do que se produz por seu intermédio; no segundo age com conhecimento de causa: daí a distinção de médiuns conscientes e de médiuns inconscientes. Estes últimos são os mais numerosos e se encontram, freqüentemente, entre os incrédulos mais obstinados, que fazem assim o Espiritismo sem o saber e sem querer. Os fenômenos espontâneos têm, por isso mesmo, uma importância capital, porque não se pode suspeitar da boa-fé daqueles que os obtêm. Ocorre aqui como no sonambulismo que, entre certos indivíduos, é natural e