A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO 1882

involuntário, e entre outros, provocados pela ação magnética (1).

Mas que esses fenômenos sejam ou não o resultado de um ato da vontade, a causa primeira é exatamente a mesma e em nada se afasta das leis naturais. Os médiuns, portanto, não produzem absolutamente nada de sobrenatural; por conseqüência, eles não fazem nenhum milagre; mesmo as curas instantâneas não são mais miraculosas do que os outros efeitos, porque são devidas à ação de um agente fluídico fazendo o papel de agente terapêutico, cujas propriedades não são menos naturais por terem sido desconhecidas até este dia. O epíteto de taumaturgos, dado a certos médiuns pela crítica ignorante dos princípios do Espiritismo, portanto, é inteiramente impróprio. A qualificação de milagre, dada, por comparação, a certas espécies de fenômenos, não pode senão induzir em erro sobre o seu verdadeiro caráter.

13. – A intervenção de inteligências ocultas nos fenômenos espíritas não tornam estes mais miraculosos que todos os outros fenômenos que são devidos a agentes invisíveis, porque estes seres ocultos que povoam os espaços são uma das forças da Natureza, força cuja ação é incessante sobre o mundo material, quanto sobre o mundo moral.

O Espiritismo, em nos esclarecendo sobre esta força, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas, e inexplicáveis, por todo outro meio, e que puderam, nos tempos recuados, passar por prodígios; ele revela, do mesmo modo que o magnetismo, uma lei, se não desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, para melhor dizer, conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos os tempos, mas não se conhecia a lei, e foi a ignorância desta lei que engendrou a superstição. Conhecida a lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis porque os Espíritas não fazem mais milagre em fazendo girar uma mesa, ou os mortos escreverem, do que o médico em fazendo reviver um moribundo, ou o físico em fazendo cair o raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta ciência, fazer milagres, seria ou um ignorante da coisa, ou um fazedor de tolos.


1) O Livro dos Médiuns cap. V. – Revista Espírita; exemplos: dezembro de 1865, página 370; – agosto de 1865, página 231.