A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO 1884

trário, não   ressalta mais  da regularidade e da precisão do movimento?

A questão dos milagres, propriamente ditos, não é, pois, da alçada do Espiritismo; mas, apoiando-se sobre este raciocício: que Deus nada faz de inútil, emite esta opinião que: Os milagres, não sendo necessários à glorificação de Deus, nada, no Universo, se desvia das leis gerais. Deus não faz milagres, porque sendo as suas leis perfeitas, não tem necessidade de derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é porque nos faltam ainda os conhecimentos necessários.

16. – Admitindo que   Deus   pudesse, por razões que não  podemos apreciar,  derrogar acidentalmente as leis que estabeleceu,   estas   leis  não seriam mais imutáveis;  mas ao menos   é   racional   pensar  que só ele tem esse   poder;   não se  poderia   admitir,  sem negar-lhe a onipotência,    que  seja dado  ao   Espírito  do mal  desfazer a obra de Deus, em fazendo,  de sua parte, prodígios para seduzir  mesmo os eleitos, o  que   implicaria a idéia de um   poder    igual  ao seu; é, todavia, o que se ensina. Se Satanás tem   o   poder de interromper o curso das leis naturais, que são a obra divina, sem  a  permissão de Deus, ele é mais poderoso do que Deus: Deus, pois, não possui a onipotência; se Deus lhe delega esse  poder,  como  se pretende, para induzir mais facilmente os homens ao mal, Deus não é mais a soberana  bondade. Num  e  no   outro caso, é a negação de um dos atributos sem os quais Deus não seria Deus.

A Igreja também distingue os bons milagres, que vêm de Deus, dos maus milagres que vêm de Satanás; mas, como diferenciá-los? Que um milagre seja satânico ou divino, isso não seria menos uma derrogação às leis que emanam só de Deus; se um indivíduo é curado, supostamente por milagre, que isso seja pelo fato de Deus ou de Satanás, ele não é menos curado. É necessário ter uma idéia bem pobre da inteligência humana para esperar que semelhantes doutrinas possam ser aceitas em nossos dias.

Estando reconhecida a possibilidade de certos fatos, reputados milagrosos, disto é necessário concluir que, qualquer que seja a fonte que se lhes atribua, são efeitos naturais dos quais Espíritos ou encarnados podem usar, como