A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-TERCEIRO 1886

a manter a crença de que um fato é miraculoso, quando está provado que ele não o   é;  ora,  a prova de que um fato não é uma exceção, nas leis naturais, é quando ele pode ser explicado por estas mesmas  leis, e que, podendo se reproduzir por intermédio de   um indivíduo qualquer, cessa de ser o privilégio dos santos. Não é o sobrenatural que é necessário às religiões, mas bem o princípio espiritual, que se confunde erradamente com o maravilhoso, e sem o qual não há religião possível.

O Espiritismo  considera  a   religião cristã de um ponto de vista mais elevado; dá-lhe uma base mais sólida do que os milagres, são as  leis imutáveis de Deus, que regem o  princípio  espiritual,  como  o  princípio  material;   esta base desafia o  tempo   e a ciência, porque o tempo e a ciência virão sancioná-la.

Deus não é menos digno de nossa admiração, de nosso  reconhecimento,  de  nosso   respeito,   por  não ter derrogado  as suas leis, grandes sobretudo por sua imutabilidade. Elas não têm necessidade do sobrenatural para render a Deus o culto que lhe é devido; não é a Natureza bastante imponente, por si mesma, e falta-lhe acrescentar para provar o poder supremo? A religião encontrará tanto menos  incrédulos quando for, em todos os pontos, sancionada pela razão. O cristianismo nada tem a perder com essa   sanção;   ao contrário, não pode, com isso, senão ganhar. Se alguma coisa pôde prejudicá-lo, na opinião de certas pessoas, foi precisamente o abuso do maravilhoso e do  sobrenatural.

19. – Tomando-se a palavra milagre em sua acepção etimológica, no sentido de coisa admirável, teremos, sem cessar, milagres aos nossos olhos; nós os aspiramos no ar e os pisamos sob os nossos passos, porque tudo é milagre na Natureza.

Quer se dar ao povo, aos ignorantes, aos pobres de espírito, uma idéia do poder de Deus? É necessário mostrar-lhes a sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, segundo o meio onde está chamado a viver; é necessário mostrar-lhes a ação de Deus no rebento da erva, na flor que desabrocha, no Sol que a tu-