A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1889

o da eterização ou de imponderabilidade, que se pode considerar como o estado normal primitivo, e o da materialização ou de ponderabilidade que, de alguma sorte, não lhe é senão consecutivo. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível; mas, ainda aí, não há transição brusca, porque se podem considerar nossos fluidos imponderáveis como um termo médio entre os dois estados. (Cap. IV, nº 10 e seguintes).

Cada um destes dois estados dão, necessariamente, lugar a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível, e aos primeiros os do mundo invisível. Uns, chamados fenômenos materiais, são da alçada da ciência propriamente dita; os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam mais especialmente à existência dos Espíritos, estão nas atribuições do Espiritismo; mas como a vida espiritual e a vida corpórea estão em contato incessante, os fenômenos destas duas ordens se apresentam, com freqüência, simultaneamente. O homem, no estado de encarnação, não pode ter a percepção senão dos fenômenos psíquicos que se ligam à vida corpórea; aqueles que são do domínio exclusivo da vida espiritual escapam aos sentidos materiais, e não podem ser percebidos senão no estado de Espírito (1).

3. – No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, ele sofre modificações bastante variadas em seu gênero, e mais numerosas talvez que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem os fluidos diferentes que, se bem que procedendo do mesmo princípio, estão dotados de propriedades especiais, e dão lugar aos fenômenos particulares do mundo invisível.

Tudo sendo relativo, esses fluidos têm, para os Espíritos, que são eles mesmos fluídicos, uma aparência tão material quanto à dos objetos tangíveis para os encarnados, e são para eles o que são para nós as substâncias

 


(1) A denominação de fenômeno psíquico expressa mais exatamente o pensamento do que a de fenômeno espiritual, tendo em vista que estes fenômenos repousam sobre as propriedades e os atributos da alma, ou melhor, dos fluidos perispirituais que são inseparáveis da alma. Esta qualificação liga-os mais intimamente à ordem dos fatos naturais, regidos por leis; pode-se, pois, admiti-los como efeitos psíquicos, sem admiti-los a título de milagres.