A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1890

do mundo terrestre; eles os elaboram, os combinam para produzirem efeitos determinados, como fazem os homens com os seus materiais, todavia, por procedimentos diferentes.

Mas lá, como neste mundo, não é dado senão aos Espíritos mais esclarecidos compreenderem o papel dos elementos constitutivos de seu mundo. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar os fenômenos de que são testemunhas, e para os quais, com freqüência, concorrem maquinalmente, quanto os ignorantes da Terra o são para explicarem os efeitos da luz ou da eletricidade, de dizerem como vêem e ouvem.

4. – Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção de nossos sentidos, feitos para a matéria tangível e não para a matéria etérea. Há os que pertencem a um meio de tal modo diferente do nosso, que não podemos julgá-los senão por comparações, tão imperfeitas quanto aquelas pelas quais um cego de nascença procura fazer para si uma idéia da teoria das cores.

Mas, entre estes fluidos, alguns estão intimamente ligados à vida corpórea, e pertencem, de alguma sorte, ao meio terrestre. Na falta de percepção direta, pode-se observar-lhes os efeitos, como se observa os do fluido do ímã, que nunca se viu, e adquirir sobre a sua natureza conhecimentos de uma certa precisão. Este estudo é essencial, porque é a chave de uma multidão de fenômenos inexplicáveis unicamente pelas leis da matéria.

5. – O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, de que nada pode nos dar uma idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível. Entre estes dois extremos, existem inumeráveis transformações, que se aproximam, mais ou menos, de um ou do outro. Os fluidos mais vizinhos da materialidade, os menos puros por conseqüência, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual terrestre. É neste meio, onde se encontram igualmente diferentes graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados da Terra haurem os elementos necessários à economia de sua existência. Estes fluidos, por sutis e impalpáveis que sejam para nós, não o são menos de uma natureza grosseira, comparativamente aos fluidos etéreos das regiões superiores.