A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1892

condensação desse fluido ao redor de um foco de inteligência ou alma. Viu-se que o corpo carnal tem igualmente seu princípio neste mesmo fluido transformado e condensado em matéria tangível; no perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porque o fluido conserva a sua imponderabilidade e as suas qualidades etéreas. O corpo perispiritual e o corpo carnal têm, pois, a sua fonte no mesmo elemento primitivo; um e o outro, são da matéria, embora sob dois estados diferentes.

8. – Os Espíritos haurem o seu perispírito no meio onde se encontrem,  quer dizer que este envoltório é formado de fluidos ambientes; disso resulta que os elementos constitutivos do perispírito devem variar segundo os mundos. Sendo dado como um mundo muito avançado, comparativamente à   Terra,   Júpiter, onde a vida corpórea não tem a materialidade da nossa, os envoltórios perispirituais devem ser ali de uma natureza infinitamente mais quintessenciada do que sobre a Terra. Ora, do mesmo modo que nós não poderíamos existir nesse mundo com o nosso corpo carnal, nossos Espíritos não poderiam ali penetrar com o seu perispírito terrestre. Deixando a Terra, o Espírito nela deixa o seu envoltório fluídico, e se reveste de um outro apropriado ao mundo onde deve ir.

9. – A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudá-lo à sua vontade e, por conseqüência, não podem, à vontade, se transportar de um mundo para outro. Alguns há cujo envoltório fluídico, se bem que etéreo e imponderável, com relação à matéria tangível, é ainda muito pesado, se assim se pode exprimir, com relação ao mundo espiritual, para permitir-lhe sair de seu meio. É necessário classificar, nesta categoria, aqueles cujo perispírito é bastante grosseiro para que o confundam com o seu corpo carnal, e que, por esta razão, se crêem sempre vivos. Estes Espíritos, e o número deles é grande, permanecem na superfície da Terra, como os encarnados, crendo sempre vagar em suas ocupações; outros, um pouco mais desmaterializados, não são, entretanto, o bastante para se elevarem acima das regiões terrestres (1).


(1) Exemplos de Espíritos que se crêem ainda deste mundo: Revista Espírita, dez. 1859, p.310; - nov. 1864, p. 339; – abril, 1865, p.117.