A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1894

mos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Também, entre todos, os efeitos produzidos pelo corpo são os mesmos, as necessidades semelhantes, ao passo que diferem por tudo o que é inerente ao perispírito.

Disso resulta ainda que: o envoltório perispiritual do mesmo Espírito se modifica com o progresso deste, a cada encarnação, se  bem  que  encarnando  num   mesmo   meio;  que os Espíritos superiores se encarnando, excepcionalmente, em missão num mundo inferior, têm um perispírito menos grosseiro   do  que o dos indígenas desse mundo.

11. – O meio está sempre em relação com a natureza dos seres que devem nele viver; os peixes estão na água; os seres terrestres estão no ar; os seres espirituais estão no fluido espiritual ou etéreo, mesmo sobre a Terra. O fluido etéreo é para as necessidades do Espírito o que a atmosfera é para as necessidades dos encarnados. Ora, do mesmo modo que os peixes não podem viver no ar; que os animais terrestres não podem viver numa atmosfera muito rarefeita para os seus pulmões, os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos. Não morrem com isso, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os mantêm deles distantes, como se distancia de um fogo muito ardente ou de uma luz muito ofuscante. Eis porque eles não podem sair do meio apropriado à sua natureza; para isto mudar, é preciso que mudem primeiro a sua natureza; que se despojem dos instintos materiais que os retêm nos meios materiais; em uma palavra, que se depurem e se transformem moralmente; então, gradualmente, eles se identificam com um meio mais depurado, que se torna para eles uma falta, uma necessidade, como os olhos daquele que, por muito tempo, viveu nas trevas se habituam insensivelmente à luz do dia e ao brilho do Sol.

12. – Assim, tudo se liga, tudo se encadeia no Universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei da unidade, desde a materialidade mais compacta até a espiritualidade mais pura. A Terra é como um vaso de onde escapa uma fumaça espessa, que se clareia à medida que se eleva, e cujas partes rarefeitas se perdem no espaço infinito.