A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1898

propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados de qualidades boas ou más dos pensamentos que os colocam em vibração, modificados pela pureza ou pela impureza dos sentimentos. Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável. Os fluidos que cercam ou que projetam os maus Espíritos são, pois, viciados, ao passo que aqueles que recebem a influência de bons Espíritos são tão puros quanto o comporta o grau da perfeição moral destes.

17. – Seria impossível fazer uma enumeração ou classificação dos bons e dos maus fluidos, nem especificar as suas qualidades respectivas, tendo em vista que a sua diversidade é tão grande quanto a dos pensamentos.

Os fluidos não têm qualidades sui generis, mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Segundo as circunstâncias, essas qualidades são, como o ar e a água, temporárias ou permanentes, o que os torna mais especialmente próprios à produção de tais ou tais efeitos determinados.

Os fluidos não têm denominações especiais; como os odores, são designados por suas propriedades, seus efeitos e seu tipo original. Sob o aspecto moral, carregam a marca dos sentimentos do ódio, da inveja, do ciúme, do orgulho, do egoísmo, da violência, da hipocrisia, da bondade, da benevolência, do amor, da caridade, da doçura, etc.; sob o aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes, suporíferos, narcóticos, tóxicos, reparadores, eliminadores; tornam-se força de transmissão ou de propulsão, etc. O quadro dos fluidos seria, pois, o de todas as paixões, das virtudes e dos vícios da Humanidade, e das propriedades da matéria correspondendo aos efeitos que eles produzem.

18. – Sendo os homens os Espíritos encarnados, eles têm, em parte, as atribuições da vida espiritual, porque vivem desta vida quanto da vida corpórea: primeiro, durante o sono, e, freqüentemente, no estado de vigília. O Espírito, em se encarnando, conserva o seu perispírito com as qualidades que lhe são próprias, e que, como se sa-