A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1902

por ele, enfim, que se cumprem, no homem, fenômenos especiais que não têm a sua causa primeira na matéria tangível, e que, por esta razão, parecem sobrenaturais.

É nas propriedades e na irradiação do fluido perispiritual  que se deve procurar a causa da dupla vista, ou visão espiritual, que se pode também chamar visão psíquica, da qual muitas pessoas estão dotadas,  freqüentemente com o  seu desconhecimento, assim como da visão sonambúlica.

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito; é por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais que escapam aos seus sentidos carnais. Pelos órgãos do corpo, a vista, o ouvido e as diversas sensações estão localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas estão  generalizadas;  o   Espírito vê, ouve e sente por todo o seu ser o que está na esfera de irradiação de seu fluido perispiritual.

Estes fenômenos são, no homem, a manifestação da vida espiritual; é a alma que age fora do organismo. Na dupla vista, ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê pelos olhos do corpo, se bem que, freqüentemente, por hábito, os dirija para o ponto sobre o qual leva a sua atenção; vê pelos olhos da alma, e a prova disto é que vê tudo tão bem com os olhos fechados, e além do alcance de seu raio visual; ele lê o pensamento representado figuradamente no raio fluídico (nº15). (1).

23. – Embora, durante a vida, o Espírito esteja preso ao corpo pelo perispírito, ele não é de tal modo escravo que não possa alongar o seu laço e se transportar ao longe, seja na Terra, seja sobre qualquer ponto do espaço. O Espírito não está senão com pesar ligado ao seu corpo, porque a sua vida normal é a liberdade, ao passo que a vida corpórea é a do servo preso à gleba.

O Espírito é, pois, feliz por deixar o seu corpo, como o pássaro deixa a sua gaiola; ele agarra todas as ocasiões para dele se libertar, e se aproveita, por isto, de todos os instantes em que a sua presença não é necessária à vida


(1) Fatos de dupla vista e de lucidez sonambúlica narrados na Revista Espírita: janeiro 1858, página 25; – novembro 1858, página 213 – julho 1861, página 197; novembro 1865, página 352.