A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1903

de relação. É o fenômeno designado sob o nome de emancipação da alma; sempre ocorre no sono; todas as vezes que o corpo repousa, e que os sentidos estão em inatividade, o Espírito se desliga. (O Livro dos Espíritos, cap. VIII).

Nestes momentos, o Espírito vive da vida espiritual, ao passo que o corpo não vive senão da vida vegetativa; ele está em parte no estado que estará depois da morte; percorre o espaço, conversa com os seus amigos e outros Espíritos livres, ou encarnados como ele.

O laço fluídico que o retém ao corpo não está definitivamente rompido senão na morte; a separação completa não ocorre senão pela extinção absoluta da atividade do princípio vital. Tanto que o corpo viva, a qualquer distância que esteja, o Espírito para ele é instantaneamente chamado, desde que a sua presença seja necessária; ele, então, retoma o curso de sua vida exterior de relação. Por vezes, ao despertar, conserva uma lembrança de suas peregrinações, uma imagem mais ou menos precisa, que constitui o sonho; dele traz, em todos os casos, intuições que lhe sugerem idéias e pensamentos novos, e justificam o provérbio: A noite traz conselho.

Assim se explicam igualmente certos fenômenos característicos do sonambulismo natural e magnético, da catalepsia, da letargia, do êxtase, etc. e que não são outras do que as manifestações da vida espiritual (1).

24. – Uma vez que a visão espiritual não se efetua pelos olhos do corpo, é que a percepção das coisas não ocorre pela luz comum: com efeito, a luz material está feita para o mundo material;   para o mundo espiritual existe uma luz especial cuja natureza nos é desconhecida, mas que, sem dúvida, é uma das propriedades do fluido etéreo impressionando as percepções  visuais  da  alma. Há, pois, a luz material e a luz espiritual.  A  primeira tem focos circunscritos nos corpos luminosos;   a  segunda tem seu foco por toda a parte: é a   razão   pela  qual  não   há obstáculos para a visão espiritual; ela não se detém nem pela distância, nem pela opacidade da matéria; a obscuridade não


(1) Exemplos de letargia e de catalepsia: Revista Espírita: Senhora Schwabenhaus, setembro 1858, página 255; – A jovem  cataléptica   de Souabe,  janeiro 1866, página 18.