A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1905

mente reais do mundo espiritual, como a visão dos Espíritos; 3º imagens fantásticas criadas pela imaginação, análogas às criações fluídicas do pensamento. (Ver acima, nº 14). Estas criações estão sempre em relação com as disposições morais do Espírito que as cria. É assim que o pensamento de pessoas fortemente imbuídas e preocupadas de certas crenças religiosas lhes apresenta o inferno, suas fornalhas, suas torturas e seus demônios, tal como as sejam figuradas: às vezes, é toda uma epopéia; os pagãos viam o Olimpo e o Tártaro, como os cristãos viam o inferno e o paraíso. Se, ao despertar, ou ao sair do êxtase, essas pessoas conservam uma lembrança precisa de suas visões, elas as tomam por realidades e confirmações  de suas crenças, ao passo que isso não é senão um produto de seus próprios pensamentos (1). Há, pois, uma escolha muito rigorosa a fazer nas visões extáticas, antes de aceitá-las. O remédio para a demasiada credulidade, sob este aspecto, é o estudo das leis que regem o mundo espiritual.

28. – Os  sonhos propriamente ditos apresentam as três naturezas de visões descritas acima. É às duas primeiras que pertencem os sonhos de previsões, pressentimentos e advertências (2); é na terceira, quer dizer, nas criações fluídicas do pensamento que se pode encontrar a causa de certas imagens fantásticas, que nada têm de real com relação à vida material, mas que têm, para o Espírito, uma realidade por vezes tal que o corpo lhe sofre o contra-golpe, e que se tem visto os cabelos embranquecerem sob a impressão de um sonho. Estas criações podem ser provocadas: pelas crenças exaltadas; por lembranças retrospectivas; pelos gostos, os desejos, as paixões, o medo, os remorsos; pelas preocupações habituais; pelas necessidades do corpo, ou um embaraço nas funções do organismo; enfim, por outros Espíritos, com um fim benevolente ou malévolo, segundo a sua natureza (3).


(1) É assim que se podem explicar as visões da irmã Elmerich, que, se reportando ao tempo da paixão de Cristo, disse ter visto coisas materiais que nunca existiram senão nos livros que ela leu; as da senhora Cantanille (Revista   Espírita,  agosto  1866,   página  240),  e   uma  parte  das de Swedenborg.

(2) Ver adiante, cap. XVI, Teoria da presciência, nºs 1,2,3.

(3) Resvista Espírita, junho 1866, página 172; – setembro 1866, página 284. – O Livro dos Espíritos, cap. VIII, nº 400.