A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1909

mais extraordinário  do que  aquele  do   vapor, que é invisível quando está muito rarefeito, e que se torna visível, quando está condensado.

Segundo o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição, algumas vezes, é vaga e vaporosa; de outras vezes, ela é mais nitidamente definida; de outras vezes, enfim, tem todas as aparências da matéria tangível; pode mesmo ir até a tangibilidade real, ao ponto de se equivocar sobre a natureza do ser que se tem à frente.

As aparições vaporosas são freqüentes, e ocorrem, a miúdo, quando os indivíduos se apresentam assim, depois de sua morte, às pessoas que estimam. As aparições tangíveis são mais raras, embora delas se tenham exemplos bastante numerosos, perfeitamente autênticos. Se o Espírito quer se fazer conhecer, dará, ao seu envoltório, todos os sinais exteriores que tinha quando vivo (1).

36. – É de se notar que as aparições tangíveis não têm senão as aparências da matéria carnal, mas não poderiam dela ter as qualidades; em razão de sua natureza fluídica, elas não podem ter a mesma coesão, porque, em realidade, não são da carne. Formam-se instantaneamente e desaparecem do memo modo, ou se evaporam pela degradação das moléculas fluídicas. Os seres que se apresentam nestas condições  não nascem e nem morrem como os outros homens; são vistos e não são mais vistos, sem saber-se de onde   vêm, como vieram, nem onde vão; não se poderia matá-los, nem acorrentá-los, nem encarcerá-los, uma vez que não têm corpo carnal; as pancadas que se lhes dessem feririam o vazio.

Tal é o caráter dos agêneres, com os quais se pode conversar sem suspeitar daquilo que são, mas que nunca fazem longas permanências, e não podem se tornar os comensais habituais de uma casa, nem figurar entre os membros de uma família.

Há, aliás, em toda a sua pessoa, em seus passos, alguma coisa de estranha e de insólita que resulta da materialidade e da espiritualidade: seu olhar, vaporoso


(1) O Livro dos Médiuns, caps. VI e VII.