A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1914

fluídica com a ajuda do qual a faz mover a sua vontade.

Quando os golpes se fazem ouvir nas mesas ou em outra parte, o Espírito não bate nem com sua mão, nem com objeto qualquer; ele dirige sob o ponto onde parte o ruído, um jato de fluido que produz o efeito de um choque elétrico. Ele modifica o ruído como se podem modificar os sons produzidos pelo ar (1).

44. – Um fenômeno muito freqüente na mediunidade é a aptidão de certos médiuns para escrever numa língua que lhes é estranha; o tratar, pela palavra ou pela escrita, de assuntos fora do alcance de sua instrução. Não é raro ver os que escrevem correntemente sem terem aprendido a escrever; outros que fazem poesias sem nunca saberem fazer um verso em sua vida; outros desenham, pintam, esculpem, compõem músicas, tocam um instrumento, sem conhecerem o desenho, a pintura, a escultura, ou a ciência musical. É muito freqüente que um médium escrevente reproduza, a ponto de enganar-se, a escrita e a assinatura que os Espíritos que se comunicam por ele tinham quando vivos, embora nunca os haja conhecido.

Este fenômeno não é mais maravilhoso do que o de ver uma criança escrever quando se lhe conduz a mão: pode-se, assim, fazê-la executar tudo o que se quer. Pode-se fazer o primeiro que chegar escrever numa língua qualquer ditando-se-lhe as palavras letra a letra. Compreende-se que possa ser o mesmo na mediunidade, reportando-se à maneira pela qual os Espíritos se comunicam com os médiuns, que não são para eles, em realidade, senão instrumentos passivos. Mas se o médium possui o mecanismo, se venceu as dificuldades práticas, se as expressões lhe são familiares, enfim, se tem em seu cérebro os elementos daquilo que o Espírito quer fazê-lo executar, ele está na posição do homem que sabe ler e escrever correntemente; o trabalho é mais fácil e mais rápido; o Espírito não tem senão que transmitir o pensamento que o seu intérprete reproduz pelos meios de que dispõe.


(1) Exemplos de manifestações materiais e de perturbações pelos Espíritos: Revista Espírita, Jovem dos Panoramas, janeiro 1858, página 13; – Senhorita Clairon, fevereiro 1858, página 44; – Espírito batedor de Bergzabern, relato completo, maio, junho e julho 1858, páginas 125, 153, 184; – Dibbelsdorf, agosto 1858, página 219; – Padeiro de Dieppe, março 1860, página 76; – Comerciante de São Petersburgo, abril 1860, página 115; – Rua dos Noyers, agosto 1860, página 236; – Espírito batedor de Aube, janeiro 1861, página 23; – Id. no século, dezesseis janeiro 1864, página 32; – Poitiers, maio 1864, página 156, e maio 1865, página 134; – Irmã Maria, junho 1864, página 185; – Marseille, abril 1865, página 121; – Fives, agosto 1865, página 225; – Os ratos de Equihen, fevereiro 1866, página 55.