A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1915

A aptidão de um médium para coisas que lhe são estranhas, freqüentemente, prende-se também aos conhecimentos que possuiu numa outra existência, e dos quais seu Espírito conservou a intuição. Se foi poeta ou músico, por exemplo, terá mais facilidade para assimilar o pensamento poético ou musical que se quer fazê-lo reproduzir. A língua que ignora hoje pode lhe ter sido familiar numa outra existência: daí, para ele, uma aptidão maior para escrever mediunicamente nessa língua (1).

OBSESSÕES E POSSESSÕES.

45. – Os maus Espíritos pululam ao redor da Terra, em conseqüência da inferioridade moral de seus habitantes. Sua ação  malfazeja faz parte dos flagelos aos quais a Humanidade está exposta neste mundo. A obsessão, que é um dos efeitos desta ação, como as doenças e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como uma prova ou uma expiação, e aceita como tal.

A obsessão é a ação persistente que um mau Espírito exerce sobre um indivíduo. Ela apresenta caracteres muito diferentes, desde a simples influência moral, sem sinais exteriores sensíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas; na mediunidade auditiva e psicográfica, se traduz pela obstinação de um Espírito em se manifestar com a exclusão de todos os outros.

46. – Do mesmo modo que as doenças são o resultado das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão é sempre o de uma imperfeição moral, que dá presa a um mau Espírito. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário se opor uma força moral. Para se preservar das doenças, fortifica-se o cor-


(1) A aptidão de certas pessoas para línguas que elas sabem, por assim dizer, sem tê-las aprendido, não tem outra causa do que uma lembrança intuitiva daquilo que souberam numa outra existência. O exemplo do poeta Méry, narrado na Revista Espírita de novembro de 1864, página 328, disso é uma prova. É evidente que se o Sr. Méry fora médium em sua juventude, teria escrito em latim tão facilmente quanto em francês, e ter-se-ia apregoado o prodígio.