A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1917

sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIII).

Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor.

47. – Na obsessão, o Espírito age exteriormente com a ajuda de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado; este último se encontra então como numa rede e constrangido a agir contra a sua vontade.

Na   possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; faz eleição de domicílio em seu corpo, sem, contudo, que este o deixe definitivamente, o que não pode ocorrer senão na morte. A possessão é, pois, sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar  definitivamente o lugar de um Espírito encarnado, tendo em vista que a união molecular do perispírito e do corpo não se opera senão no momento da concepção. (Cap. XI, nº 18).

O Espírito, na posse momentânea do corpo, dele se serve como de seu próprio; fala por sua boca, vê pelos seus olhos, age com os seus braços, como o faria quando vivo. Não é mais como na mediunidade falante, onde o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um Espírito desencarnado; é este último, ele mesmo, quem fala e age, e se foi conhecido quando vivo, será reconhecido pela sua linguagem, pela sua voz, pelos seus gestos e até pela expressão de sua fisionomia.

48. – A obsessão é sempre o fato de um Espírito malfazejo. A possessão pode ser o fato de um bom Espírito que quer falar e, para fazer mais impressão sobre os seus ouvintes, empresta o corpo de um encarnado, que este lhe empresta voluntariamente, como empresta a sua roupa. Isto se faz sem nenhuma perturbação ou mal-estar, e, durante esse tempo, o Espírito se encontra em liberdade, como no estado de emancipação, e, o mais freqüentemente, se coloca ao lado de seu substituto para escutá-lo.

Quando o Espírito possuidor é mau, as coisas se passam de outro modo; ele não empresta o corpo, dele