A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUARTO 1918

se apodera se o titular não tem força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade contra este, que tortura e martiriza de todas as maneiras, até querer fazê-lo perecer, seja por estrangulamento, seja empurrando-o para o fogo ou outros lugares perigosos. Servindo-se dos membros e dos órgãos do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata aqueles que o cercam; entrega-se a excentricidades e atos que têm todos os caracteres da loucura furiosa.

Os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, são muito numerosos, e muitos dos casos de loucura não têm outra causa. Freqüentemente, a isso se juntam desordens patológicas que não são senão consecutivas, e contra as quais os tratamentos médicos são impotentes, enquanto subsiste a causa primeira. O Espiritismo, fazendo conhecer  esta fonte de uma parte das misérias humanas, indica o meio de remediá-las: o meio é agir sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado pela inteligência (1).

49. – A obsessão e a possessão, o mais freqüentemente, são individuais, mas, às vezes, são epidêmicas. Quando uma nuvem de maus Espíritos se abate sobre uma localidade, é como quando uma tropa de inimigos vem invadi-la. Neste caso, o número de indivíduos atingidos pode ser considerável. (2).


(1) Exemplos de curas de obsessões e de possessões: Revista Espírita, dezembro 1863, página 373; – janeiro de 1864, página 11; – junho de 1864, página 168; – janeiro de 1865, página 5; – junho de 1865, página 172; – de fevereiro 1866, página 38; – junho 1867, página 174.

(2) Foi uma epidemia deste gênero que grassou há alguns anos na aldeia de Morzine, em Savoie (ver a narração completa na Revista Espírita de dezembro de 1862, página 353; de janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863, páginas 1, 33, 101, 133.