A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1920

piritual, durante a vida e depois da morte; enfim, sobre o estado constitutivo dos Espíritos e o seu papel como força ativa da Natureza. Estes elementos conhecidos, e seus efeitos constatados, têm por conseqüência fazer admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados quando se lhes atribuía uma origem sobrenatural.

2. – Sem  nada   prejulgar  sobre a natureza do Cristo, que não entra no quadro desta obra examinar, e não o considerando, por hipótese, senão um Espírito superior, não se pode impedir de reconhecer nele um daqueles de ordem mais  elevada,  e  que  está colocado, pelas suas virtudes, bem acima da Humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que ele produziu, a sua encarnação neste mundo não poderia ser senão uma dessas missões que não são confiadas senão aos mensageiros diretos da Divindade para o  cumprimento  de seus desígnios. Supondo que ele não fosse  o próprio Deus, mas um enviado de Deus para transmitir a sua palavra, ele seria mais do que um profeta, porque seria um Messias divino.

Como homem, tinha a organização dos seres carnais; mas como Espírito puro, desligado da matéria, deveria viver a vida espiritual mais do que a vida corpórea, da qual não tinha as fraquezas. A superioridade de Jesus sobre os homens não se prendia às particularidades de seu corpo, mas às de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e à de seu perispírito, haurida na parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres. (Cap. XIV, nº 9). Sua alma não devia prender-se ao corpo senão pelos laços estritamente indispensáveis; constantemente desligado, devia dar-lhe uma dupla vista não somente permanente, mas de uma penetração excepcional e bem de outro modo superior àquela que se vê entre os homens comuns. Deveria ser do mesmo modo em todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade destes fluidos lhe dava uma imensa força magnética, secundada pelo desejo incessante de fazer o bem.

Nas curas que ele operava, agia como médium? Pode-se considerá-lo como um poderoso médium curador? Não; porque o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados. Ora, o Cristo não tinha necessidade de assistência, ele que as-