A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1924

Dali, avançando, ele viu dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, que estavam num barco com Zebedeu, seu pai, e que remendavam as suas redes, e os chamou. – Ao mesmo tempo eles deixaram suas redes e seu pai e o seguiram. (São Mateus, cap. IV, v. de 18 a 22).

Jesus, saindo dali, ao passar, viu um homem sentado numa mesa de impostos, chamado Mateus, ao qual disse: Segui-me; e logo ele se levantou e o seguiu. (São Mateus, cap. IV, v. 9).

9. – Estes fatos nada têm de surpreendente, quando se conhece o poder da dupla vista e a causa muito natural desta faculdade. Jesus a possuía em grau supremo, e pode-se dizer que ela era o seu estado normal, o que atesta grande número de atos de sua vida, e que é explicado hoje pelos fenômenos magnéticos e pelo Espiritismo.

A pesca qualificada de maravilhosa se explica, igualmente, pela dupla vista. Jesus não produziu espontaneamente  peixes  ali   onde  eles não existiam; ele viu, como o teria  podido  ver um lúcido desperto, pela visão da alma, o lugar  onde  se encontravam e pôde dizer, com segurança, aos pescadores que ali lançassem as suas redes.

A  penetração do pensamento e, por conseguinte, certas previsões,  são  a conseqüência da visão espiritual. Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, seria necessário que conhecesse as suas disposições íntimas, para saber que o seguiriam e que eram capazes de cumprir a missão da qual deveria encarregá-los. Seria necessário que eles mesmos tivessem a intuição dessa missão para se abandonarem a ele. Ocorreu o mesmo no dia  da  Ceia,  quando  anunciou   que  um dos doze o trairia, e o designou dizendo que seria aquele que pusesse a mão no prato, e quando disse que Pedro o renegaria.

Em muitos lugares do Evangelho, diz-se: "Mas Jesus, conhecendo o seu pensamento, lhes disse...." Ora, como poderia conhecer o seu pensamento, se isso não for, ao mesmo tempo, pela irradiação fluídica que lhe levava esse pensamento, e a visão espiritual que lhe permitia ler no foro interior dos indivíduos?

Então, freqüentemente, quando se crê um pensamento