A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1940

porcos num país onde esse animal era tido em horror e sem utilidade para a alimentação. Um Espírito mau, por isso não é menos um Espírito humano ainda bastante imperfeito para fazer o mal depois da morte, como o fazia antes, e é contra as leis da Natureza que possa animar o corpo de um animal; é necessário, pois, ver aí uma dessas amplificações comuns nos tempos de ignorância e superstição; ou talvez uma alegoria para caracterizar os pendores imundos de certos Espíritos.

35. – Os obsidiados e os possessos pareciam ter sido muito numerosos na Judéia, ao tempo de Jesus, o que lhe dava ocasião de curar a muitos. Os maus Espíritos tinham, sem dúvida, invadido esse país e causado uma epidemia de possessões. (Cap. XIV, nº 49).

Sem ser um estado epidêmico, as obsessões individuais são extremamente freqüentes e se apresentam sob aspectos muito variados, que um conhecimento aprofundado do Espiritismo faz facilmente reconhecer; elas podem, freqüentemente, ter conseqüências deploráveis para a saúde, seja agravando as afecções orgânicas, seja determinando-as. Incontestavelmente, serão classificadas um dia entre as causas patológicas requeridas, pela sua natureza especial, de meios curativos especiais. O Espiritismo, fazendo conhecer a causa do mal, abre um novo caminho à arte de curar, e fornece à ciência o meio de triunfar ali onde ela não fracassa, freqüentemente, senão por falta de atacar a causa primeira do mal. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIII).

36. – Jesus era acusado, pelos fariseus, de expulsar os demônios pelos demônios; o bem que fazia era, segundo eles, a obra de Satanás, sem refletir que Satanás expulsando a si mesmo, praticaria um ato de insensatez. É notável que os fariseus daquele tempo pretendessem já que toda faculdade transcedente, e, por esse motivo, reputada sobrenatural, fosse obra do demônio, uma vez que, segundo eles, o próprio Jesus tinha dele o seu poder; é um ponto a mais de semelhança com a época atual, e essa doutrina é ainda a da Igreja, que procura prevalecer hoje contra as manifestações espíritas (1).


(1) Todos os teólogos estão longe de professarem opiniões tão absolutas sobre a doutrina demoníaca. Eis a de um eclesiástico da qual o clero não poderia contestar o valor. Encontra-se a passagem seguinte nas Conferências sobre a religião, pelo Mons. Freyssinous, bispo de Hermópolis, tomo II, página 341; Paris, 1825: