A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1941

RESSURREIÇÕES

A FILHA DE JAIRO.

37. – Estando Jesus ainda passando no barco para a outra margem, quando estava junto do mar, uma multidão de povo se reuniru ao seu redor. E um chefe da sinagoga, de nome Jairo, veio procurá-lo; e encontrando-o, lançou-se-lhe aos pés, – e lhe suplicava com grande instância, dizendo-lhe: Tenho uma filha que está no fim; vinde impor-lhe as mãos para curá-la e salvar-lhe a vida.

Jesus foi para lá com ele, seguido por uma grande multidão de povo que o pressionava.

Quando (Jairo) ainda falava, vieram pessoas do chefe da sinagoga, que lhe disseram: A vossa filha está morta; por que quereis dar ao Mestre o trabalho de ir mais longe? – Mas Jesus, tendo ouvido essa palavra, disse ao chefe da sinagoga: Não temais, crede somente. – E não permitiu a ninguém segui-lo, senão a Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.

Tendo chegado na casa desse chefe da sinagoga, viu um bando confuso de pessoas que choravam e lançavam grandes gritos; – e entrando lhes disse: Por que fazeis tanto barulho, e por que chorais? Esta jovem não está morta, não está senão adormecida. – E zombavam dele. Tendo feito sair todo o mundo, tomou o pai e a mãe da criança, e aqueles que vieram com ele, e entrou no lugar onde a menina estava deitada. – Tomou-a pela mão e disse-lhe: Talitha cumi, quer dizer, Minha filha, levantai-vos, eu vos ordeno. – No mesmo instante, a menina se levantou e se pôs a andar; porque tinha doze anos, e ficaram maravilhosamente espantados. (São Marcos, cap. V, v. de 21 a 43).


"Se Jesus tivesse operado esses milagres pela virtude do demônio, o demônio teria, pois, trabalhado para destruir o seu império, e teria empregado a sua força contra si mesmo. Certamente, um demônio que procurasse destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude, seria um estranho demônio. Eis porque Jesus, para repelir a absurda acusação dos Judeus, lhes disse: "Se eu opero prodígios em nome do demônio, o demônio está, pois, dividido consigo mesmo, e procura destruir-se!" resposta que não admite réplica."

É precisamente o argumento que os Espíritas opõem aos que atribuem ao demônio os bons conselhos que recebem dos Espíritos. O demônio seria um ladrão de profissão que daria tudo o que roubou, e convidaria os outros ladrões a se tornarem pessoas honestas.