A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1946

TEMPESTADE ACALMADA

45. – Um dia, estando sobre um barco com os seus discípulos, disse-lhes: Passemos à outra margem do lago. Eles partiram, pois. E enquanto passavam, ele adormeceu. – Então, um grande turbilhão de vento, de repente, veio abater-se sobre o lago, de sorte que seu barco, se enchendo de água, estava em perigo. Aproximaram-se, pois, dele e o despertaram, dizendo-lhe: Mestre, nós perecemos. Jesus, tendo se levantado, falou com ameaça aos ventos e às ondas agitadas, e eles se apaziguaram, e se fez uma grande calma. – Então, disse-lhes: Onde, pois, está a vossa fé? Mas eles, cheios de medo e de admiração, diziam uns aos outros: Quem é, pois, este que ordena de tal modo aos ventos e às ondas e que eles lhe obedecem? (São Lucas, cap. VIII, v. 22 a 25).

46. – Não conhecemos ainda bastante os segredos da Natureza para afirmar se há, sim ou não, inteligências ocultas que presidem à ação dos elementos. Na hipótese da afirmativa, o fenômeno em questão poderia ser o resultado de um ato de autoridade sobre essas mesmas inteligências, e provaria um poder que não foi dado a nenhum homem exercer.

Em todo o caso, Jesus dormindo tranqüilamente durante a tempestade, atesta uma segurança que pode se explicar por este fato de que o seu Espírito via que não havia nenhum perigo, e que a tempestade iria se apaziguar.

BODAS DE CANÁ

47. – O milagre, mencionado somente no Evangelho de São João, é indicado como sendo o primeiro que Jesus fez, e, a esse título, haveria de ser tanto mais notável; é necessário que tenha produzido bem pouca sensação, porque nenhum outro evangelista dele falou. Um fato tão extraordinário deveria admirar no mais alto ponto aos convivas, e sobretudo ao senhor da casa, que não parecem mesmo ter dele se apercebido.

Considerado em si mesmo, este fato tem pouca importância comparativamente com aqueles que testemunharam verdadeiramente as qualidades espirituais de Jesus.