A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1958

deles excetuar a tangibilidade. Observando-se as circunstâncias que acompanharam as suas diversas aparições, reconhece-se nele, nesses momentos, todos os caracteres de um ser fluídico. Ele aparecia inopinadamente e desaparecia do mesmo modo; foi visto por uns e não pelos outros sob aparências que não o fazem reconhecer, mesmo por seus discípulos; mostra-se em lugares fechados onde um corpo carnal não poderia penetrar; mesmo a sua linguagem não tem a verve de um ser corpóreo; tem o tom breve e sentencioso particular aos Espíritos que se manifestam dessa maneira; todas as suas atitudes, numa palavra, têm alguma coisa que não é do mundo terrestre. A sua visão causa, ao mesmo tempo, surpresa e medo; seus discípulos, vendo-o, não falam com a mesma liberdade; eles sentem que não é mais o homem.

Jesus, portanto, mostrou-se com o seu corpo perispiritual, o que explica que não foi visto senão por aqueles aos quais quis se fazer ver; se tivesse o seu corpo carnal, seria visto pelo primeiro que chegasse, como quando vivo. Seus discípulos, ignorando a causa primeira do fenômeno das aparições, não se davam conta dessas particularidades, que provavelmente não notavam; eles viam Jesus e o tocavam, para eles deveria ser um corpo ressuscitado. (Cap. XIV, nº 14, e de 35 a 38).

62. – Ao passo que a incredulidade rejeita todos os fatos realizados por Jesus, tendo uma aparência sobrenatural, e os considera, sem exceção, como legendários, o Espiritismo dá, à maioria desses fatos, uma explicação natural; prova-lhes a possibilidade, não só pela teoria das leis fluídicas, mas pela sua identidade com os fatos análogos produzidos por uma multidão de pessoas, nas condições mais vulgares. Uma vez que esses fatos estão, de alguma sorte, no domínio público, nada provam, em princípio, quanto à natureza excepcional de Jesus (1).


(1) Os numerosos fatos contemporâneos de curas, aparições, possessões, dupla vista e outros, que são relatados na Revista Espírita, e lembrados nas notas acima, oferecem, até nas circunstâncias dos detalhes, uma analogia tão chocante com aqueles que o Evangelho narra, que a semelhança dos efeitos e das causas fica evidente. Pergunta-se, pois, por que o mesmo fato teria uma causa natural hoje, e sobrenatural outrora; diabólica em alguns e divina em outros. Se fora possível colocá-los aqui em frente uns dos outros, a comparação seria mais fácil; mas o seu número e os desenvolvimentos que a maioria necessita, não o permitiram.