A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-QUINTO 1959

63. – O maior dos milagres que Jesus fez, aquele que atesta verdadeiramente a sua superioridade, é a revolução que os seus ensinos operaram no mundo, apesar da exigüidade dos seus meios de ação.

Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na condição mais humilde, entre um pequeno povo quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, não pregou senão três anos; durante esse curto espaço de tempo, é desconhecido e perseguido pelos seus concidadãos, caluniado, tratado de impostor; é obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído por um dos seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos no momento em que caiu nas mãos de seus inimigos. Não fazia senão o bem, e isso não o colocava ao abrigo da malevolência, que voltava contra ele os próprios serviços que prestava. Condenado ao suplício reservado aos criminosos, morre ignorado pelo mundo, porque a história contemporânea se cala a seu respeito (1). Ele não escreveu nada, e, entretanto, ajudado por alguns homens obscuros como ele, a sua palavra bastou para regenerar o mundo; a sua doutrina matou o paganismo todo-poderoso, e se tornou a chama da civilização. Tinha, pois, contra ele tudo o que pode fazer os homens fracassarem, por isso é que dizemos que o triunfo de sua doutrina é o maior dos seus milagres, ao mesmo tempo que ela prova a sua missão divina. Se, em lugar de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, não tivesse a oferecer, à posteridade, senão alguns fatos maravilhosos, talvez mal fosse conhecido, de nome hoje.

DESAPARECIMENTO DO CORPO DE JESUS

64. – O desaparecimento do corpo de Jesus, depois da sua morte, foi objeto de numerosos comentários; ele é atestado pelos quatro evangelistas, sobre o relato das mulheres que se apresentaram ao sepulcro no terceiro dia, e ali não o encontraram. Uns viram, nesse desaparecimento, um fato miraculoso, outros supuseram uma retirada clandestina.

Segundo uma outra opinião, Jesus não teria revestido


(1) O historiador judeu Josefo é o único que dele fala, e diz muito pouca coisa.