A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-SEXTO 1963

CAPÍTULO XVI

TEORIA DA PRESCIÊNCIA

1. – Como é possível o conhecimento do futuro? Compreende-se a previsão dos acontecimentos que são a conseqüência do estado presente, mas não daqueles que com ele não têm nenhuma relação, e ainda menos daqueles que se atribuem ao acaso. As coisas futuras, diz-se, não existem; elas ainda estão no nada; como, então, saber que ocorrerão? Os exemplos de predições realizadas são, entretanto, bastante numerosos, de onde é preciso concluir que se passa aí um fenômeno do qual não se tem a chave, porque não há efeito sem causa; será essa causa que tentaremos procurar, e é ainda o Espiritismo, ele mesmo chave de tantos mistérios, que no-la fornecerá, e que, além disso, nos mostrará que mesmo o fato das predições não sai das leis naturais.

Tomemos, como comparação, um exemplo nas coisas usuais, e que ajudará a fazer compreender o princípio que iremos desenvolver.

2. – Suponhamos um homem colocado sobre um alta montanha, e considerando a vasta extensão da planície. Nesta situação, o espaço de uma légua será pouca coisa, e ele poderá facilmente abarcar, de um só golpe de vista, todos os acidentes do terreno, desde o começo até o fim do caminho. O viajante que segue esse caminho pela primeira vez, sabe que, caminhando, chegará ao fim: aí está uma simples previsão da conseqüência de uma caminhada; mas os acidentes do terreno, as subidas e as descidas, os rios a transpor, as matas a atravessar, os precipícios onde pode cair, os ladrões postados para roubá-lo, os casas hospitaleiras onde poderá repousar, tudo isto é independente de sua pessoa: é para ele o desco-