A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-SEXTO 1966

tamente contra o inimigo, com a certeza da vitória; homens de gênio, como Cristóvão Colombo, por exemplo, perseguiram um objetivo predizendo, por assim dizer, o momento em que o alcançarão é que viram esse objetivo, que não é desconhecido para o seu Espírito.

O dom da predição não é, pois, mais sobrenatural do que uma multidão de outros fenômenos; ele repousa sobre as propriedades da alma e a lei das relações do mundo visível e do mundo invisível, que o Espiritismo vem fazer conhecer.

Esta teoria da presciência não resolve, talvez, de maneira absoluta, todos os casos que a revelação do futuro pode apresentar, mas não se pode deixar de convir que ela lhe coloca o princípio fundamental.

7. – Freqüentemente, as pessoas dotadas da faculdade de prever, no estado extático ou sonambúlico, vêem os acontecimentos se desenharem como num quadro. Isto poderia também se explicar pela fotografia do pensamento. Estando um acontecimento no pensamento dos Espíritos que trabalham para que se cumpra, ou dos homens cujos atos devem provocá-lo, esse pensamento, atravessando o espaço como os sons atravessam o ar, pode fazer imagem para o vidente; mas como a realização pode ser apressada ou retardada, por um concurso de circunstâncias, ele vê a coisa sem poder precisar-lhe o momento. Por vezes mesmo, esse pensamento pode não ser senão um projeto, um desejo que pode não ter seqüência; daí os erros freqüentes de fato e de data nas previsões. (Cap. XIV, nº 13 e seguintes).

8. – Para compreender as coisas espirituais, quer dizer, para delas se dar uma idéia tão límpida quanto aquela que fazemos de uma paisagem que está sob os nossos olhos, falta-nos verdadeiramente um sentido, exatamente como ao cego falta o sentido necessário para compreender os efeitos da luz, das cores e da visão sem o contato. Também não é senão por um esforço de imaginação que nós ali chegamos, e com a ajuda de comparações tiradas nas coisas que nos são familiares. Mas as coisas materiais não podem dar senão idéias muito imperfeitas das coisas espirituais; é por isso que não seria preciso tomar a comparação ao pé da letra, e crer, por exemplo, que a extensão das faculdades perceptivas dos Espíritos prendem-se à sua elevação efetiva, e que têm