A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-SEXTO 1969

dades, sua habilidade, sua perseverança, sua prudência e sua energia, onde outro fracassará pela sua insuficiência; de sorte que se pode dizer que cada um é o artífice de seu próprio futuro, que nunca é submetido a uma cega fatalidade, independente de sua pessoa. Conhecendo-se o caráter de um indivíduo, pode-se facilmente predizer-lhe a sorte que o espera no caminho em que se empenha.

13. – Os acontecimentos que tocam os interesses gerais da Humanidade são regulados pela Providência. Quando uma coisa está nos desígnios de Deus, ela deve se cumprir, quando mesmo seja por um meio, seja por outro. Os homens concorrem para a sua execução, mas nenhum é indispensável, de outro modo o próprio Deus estaria à mercê de suas criaturas. Se aquele a quem incumbe a missão de executá-la falha, um outro dela é encarregado. Não há missão fatal; o homem está sempre livre para cumprir aquela que lhe é confiada e que aceitou voluntariamente; se não o faz, perde-lhe o benefício e assume a responsabilidade pelos atrasos que podem ser o fato de sua negligência, ou de sua má vontade; se se torna um obstáculo para o seu cumprimento, Deus pode quebrá-lo com um sopro.

14. – O resultado final de um acontecimento pode, pois, ser certo, porque está nos objetivos de Deus; mas como, o mais freqüentemente, os detalhes e o modo de execução estão subordinados às circunstâncias e ao livre arbítrio dos homens, os caminhos e meios podem ser eventuais. Os Espíritos podem nos pressentir sobre o conjunto, se for útil que disso sejamos previnidos; mas, para precisar o lugar e a data, seria preciso que conhecessem previamente a determinação que tomará tal ou tal indivíduo; ora, se essa determinação não está ainda em seu pensamento, segundo o que ela será, pode acelerar ou retardar o desfecho, modificar os meios secundários de ação, tudo conduzindo ao mesmo resultado. É assim, por exemplo, que os Espíritos podem, pelo conjunto das circunstâncias, prever que uma guerra está mais ou menos próxima, que é inevitável, sem poderem prever o dia em que ela começará, nem os incidentes de detalhes que podem ser modificados pela vontade dos homens.

15. – Para a fixação da época dos acontecimentos futuros, é preciso, além disso, levar em conta uma circunstância inerente à própria natureza dos Espíritos.