A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-SÉTIMO 1975

morte do que quando vivos. São julgados com mais imparcialidade, porque os invejosos e os ciumentos desapareceram, os antagonismos pessoais não existem mais. A posteridade é um juiz desinteressado que aprecia a obra do espírito, aceita-a sem entusiasmo cego se ela é boa, rejeita-a sem ódio se ela é má, abstração feita da individualidade que a produziu.

Jesus podia tanto menos escapar às conseqüências desse princípio, inerente à natureza humana, porque vivia num meio pouco esclarecido, e entre homens todos voltados para a vida material. Seus compatriotas não viam nele senão o filho do carpinteiro, o irmão de homens tão ignorantes quanto eles, e se perguntavam o que poderia torná-lo superior a eles e lhe dar o direito de censurá-los; também, vendo que a sua palavra tinha menos crédito entre os seus, que o desprezavam, do que sobre os estranhos, ele foi pregar entre aqueles que o escutavam e no meio dos que encontrava a simpatia.

Pode-se julgar de quais sentimentos seus parentes estavam animados para com ele por esse fato, que seus próprios irmãos, acompanhados de sua mãe, vieram, numa assembléia onde se encontrava, para se apoderarem dele, dizendo que ele havia perdido o espírito. (São Marcos. cap. III, v. 20, 21, e de 31 a 35. – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV).

Assim, de um outro lado, os sacerdotes e os fariseus acusavam Jesus de agir pelo demônio; de outro, era taxado de loucura pelos seus parentes mais próximos. Não é assim que se usa, em nossos dias, com respeito aos espíritas, e estes devem se lamentar por não serem melhores tratados pelos seus concidadãos do que não o foi Jesus? O que não tinha nada para se admirar há dois mil anos, entre um povo ignorante, é mais estranho no século dezenove entre as nações civilizadas.

MORTE E PAIXÃO DE JESUS

3. – (Depois da cura do lunático). – Todos ficaram admirados com o grande poder de Deus. E quando todo o mundo estava na admiração do que Jesus fazia, ele dis-