A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-OITAVO 2003

progride fisicamente pela transformação dos elementos que o compõem, e moralmente pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Esses dois progressos se seguem e caminham paralelamente, porque a perfeição da habitação está em relação com a do habitante. Fisicamente, o globo sofreu transformações, constatadas pela ciência, e que o tornaram sucessivamente habitável para seres mais e mais aperfeiçoados; moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e o abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que a melhoria do globo se opera sob o império de forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência; eles saneiam as regiões insalubres, tornam as comunicações mais fáceis e a terra mais produtiva.

Esse duplo progresso se cumpre de duas maneiras: uma lenta, gradua e insensível; a outra por mudanças mais bruscas, a cada uma das quais se opera um movimento ascensional mais rápido que marca, por caracteres nítidos, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados nos detalhes ao livre arbítrio dos homens, são de alguma sorte fatais em seu conjunto, porque estão submetidos a leis, como aquelas que se operam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas; é por isso que o movimento progressivo, algumas vezes, é parcial, quer dizer, limitado a uma raça ou a uma nação, de outras vezes geral. O progresso da Humanidade se efetua, pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da Natureza são a obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, pois, a Humanidade está madura para vencer um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados, como se pode dizer também que em tal estação, eles são chegados para a maturidade dos frutos e a colheita.

3. – Do fato de que o movimento progressivo da Humanidade é inevitável, porque está na Natureza, não se segue que Deus esteja indiferente a isso, e que depois de ter estabelecido as leis, tenha entrado na inação, deixando as coisas andarem sozinhas. As suas leis são eternas e imutáveis, sem dúvida, mas porque a sua vontade,