A GÊNESE - CAPÍTULO DÉCIMO-OITAVO 2005

6. – Nesse tempo, não se tratará mais de uma mudança parcial, de uma revolução limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende se estabelecer, e os homens que lhe fazem a maior oposição nela trabalham com o seu desconhecimento; a geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo, e formada de elementos mais depurados, se encontrará animada de idéias e de sentimentos diferentes dos da geração presente, que se vai a passo de gigante. O velho mundo estará morto, e viverá na história, como hoje os tempos da Idade Média com os seus costumes bárbaros e as suas crenças supersticiosas.

De resto, cada um sabe o quanto a ordem de coisas atual deixa ainda a desejar; depois de ter, de alguma sorte, consumido o bem-estar material que é o produto da inteligência, chega-se a compreender que o complemento desse bem-estar não pode estar senão no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais se sente o que falta, sem poder ainda, entretanto, defini-lo claramente: é o efeito do trabalho íntimo que se opera para a regeneração; têm-se desejos, aspirações que são como o pressentimento de um estado melhor.

7. – Mas uma mudança tão radical quanto a que se elabora, não pode se cumprir sem comoção; há luta inevitável entre as idéias. Desse conflito nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno seja diluído e o equilíbrio restabelecido. Será, pois, dessa luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não cataclismos, ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a conseqüência do estado de formação da Terra; hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da Humanidade.

8. – Se a Terra não tem mais a temer os cataclismos gerais, ela não está menos submetida a revoluções periódicas cujas causas são explicadas, do ponto de vista científico, nas instruções seguintes dadas por dois eminentes Espíritos (1):


(1) Extrato de duas comunicações dadas à Sociedade de Paris, e publicadas na Revista Espírita de outubro de 1868, pág. 313. Elas são o corolário das de Galileu, narrada no capítulo VI, e um complemento ao capítulo IX, sobre as revoluções do globo.