O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 202

nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é pouco próximo ao de um Espírito encarnado durante o sono do corpo. À medida que o momento do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado da qual não tem mais consciência, como homem, uma vez entrando na vida; mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito.

352 – Ao nascer, o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas faculdades?

– Não, elas se desenvolvem gradualmente com os órgãos. É para ele uma nova existência e é necessário que aprenda a se servir dos seus instrumentos. As idéias lhe tornam pouco a pouco, como a um homem que sai do sono e se encontra em posição diferente da que tinha na véspera.

353 – A união do Espírito e do corpo não estando completa e definitivamente consumada senão depois do nascimento, pode-se considerar o feto como tendo uma alma?

– O Espírito que o deve animar existe, de alguma forma, fora dele. Ele não tem propriamente falando, uma alma, pois a encarnação está somente em vias de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.

354 – Como explicar a vida intra-uterina?

– É aquela da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal que ele completa, no nascimento, pela vida espiritual.

355 – Existe, como indica a Ciência, crianças que desde o seio materno não são viáveis? Com que fim isso ocorre?

– Isso ocorre com freqüência; Deus o permite como prova, seja para os pais, seja para o Espírito destinado a reencarnar.

356 – Existem natimortos que não foram destinados à encarnação de um Espírito?

– Sim, há os que jamais tiveram um Espírito designado para os seus corpos: nada deviam realizar por eles. É, então, somente pelos pais que essa criança veio.

– Um ser dessa natureza pode chegar a termo?