O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 204

outra forma poder-se-ia crer em Espíritos sempre maus, os que chamais demônios.

362 – Qual o caráter dos indivíduos em que se encarnam Espíritos travessos e levianos?

– De indivíduos estouvados, espertalhões, e algumas vezes malfazejos.

363 – Os Espíritos têm paixões que não pertencem à Humanidade?

– Não, de outro modo eles vo-las teriam comunicado.

364 – É o mesmo Espírito que dá ao homem as qualidades morais e as da inteligência?

– Seguramente, é o mesmo, e isso em razão do grau que alcançou. Não tem o homem em si dois Espíritos.

365 – Por que homens muito inteligentes, que evidenciam em si um Espírito superior, algumas vezes, ao mesmo tempo, são profundamente viciados?

– É que o Espírito encarnado não é tão puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos piores. O Espírito progride através de uma insensível caminhada ascendente, mas o progresso não se realiza, simultaneamente, em todos os sentidos; em uma etapa ele pode avançar em ciência, em outra em moralidade.

366 – Que pensar da opinião segundo a qual as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem seriam o produto de diferentes Espíritos encarnados nele, e tendo, cada um, uma aptidão especial?

– Refletindo, reconhece-se   que  é  absurda. O Espírito deve ter todas as aptidões; para poder  progredir,  lhe  é necessária uma  vontade  única. Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele não teria individualidade, pois que, em sua morte, esses Espíritos seriam qual um bando de pássaros escapados de uma gaiola. O homem lamenta, freqüentemente,  não compreender certas coisas  e  é  curioso  ver  como  multiplica   as  dificuldades, enquanto que tem sob a mão uma explicação muito simples e natural. Ainda aqui, toma o efeito pela causa; é fazer para o homem o que os pagãos fizeram para Deus. Acredita-