OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2071

Uma outra propriedade do perispírito e que se prende à sua natureza etérea, é a penetrabilidade. Nenhuma matéria lhe é obstáculo; ele as atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. É por isso que não há clausura que possa se opor à entrada dos Espíritos; eles vão visitar o prisioneiro em seu cárcere tão facilmente quanto o homem que está no meio dos campos.

17. As manifestações visuais mais comuns ocorrem no sono, pelos sonhos: são as visões. As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, e é então que se goza da plenitude e da inteira liberdade de suas faculdades. Elas se apresentam, geralmente, sob uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vagas e indecisas: freqüentemente, à primeira vista, de um clarão esbranquiçado, cujos contornos se desenham pouco a pouco. De outras vezes, as formas são nitidamente acentuadas e se lhe distinguem os menores traços do rosto, ao ponto de se poder fazer uma descrição muito precisa. Os passos, o aspecto são semelhantes ao que era o Espírito quando vivo.

18. Podendo tomar todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela que pode melhor fazê-lo reconhecer, e se tal é o seu desejo. Também, se bem que, como Espírito, ele não tenha nenhuma enfermidade corpórea, se mostrará estropiado, coxo, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para constatar a sua identidade. Ocorre o mesmo com a roupa; a dos Espíritos, que nada conservaram das quedas terrestres, se compõe, o mais ordinariamente, de uma roupagem de longos franzidos flutuantes, com uma cabeleira ondulante e graciosa.

Freqüentemente, os Espíritos se apresentam com os atributos característicos de sua elevação, como uma auréola, asas para aqueles que se podem considerar como anjos, um aspecto luminoso resplandecente, ao passo que outros têm aqueles que lembram as suas ocupações terrestres; assim, um guerreiro poderá apa