OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2076

se retemperar na fonte do bem, para eles mesmos não falirem, eles que vêm instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abre para os amigos do céu; é a recreação depois do trabalho, esperando a grande libertação, a liberação final, que deverá restituí-los ao seu verdadeiro meio.

"O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono: mas notai que não sonhais sempre, porque não vos lembrais do que vistes. Não é a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; freqüentemente, não é senão a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida ou a vossa reentrada, à qual se junta o que fizestes ou o que vos preocupou no estado de vigília; sem isso, como explicaríeis esses sonhos absurdos que têm os mais sábios como os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilâmines.

"A incoerência dos sonhos se explica, ainda, pelas lacunas que a lembrança incompleta produz daquilo que apareceu em sonho. Tal seria um relato do qual se tivessem mutilado ao acaso as frases: reunidos os fragmentos que restassem, perderia toda a significação razoável.

"De resto, vereis em pouco se desenvolver uma outra espécie de sonho; ela é tão antiga quanto as que conheceis, mas a ignorais. O sonho de Jeanne D’Arc, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhadores indianos; aquele sonho é a lembrança da alma inteiramente desligada do corpo, a lembrança dessa segunda vida, da qual vos falava há pouco. " (O Livro dos Espíritos, p. 177 e seguintes.)

25. A independência e a emancipação da alma se manifestam, sobretudo, de maneira evidente, no fenômeno do sonambulismo natural e magnético, na catalepsia e na letargia. A lucidez sonambúlica não é outra senão a faculdade que a alma possui de ver e de sentir sem o socorro dos órgãos materiais. Essa faculdade é um dos seus atributos; ela reside em todo o seu ser;