O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 208

374 – O idiota, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?

– Sim, muito freqüentemente; ele compreende que as cadeias que entravam seu vôo são uma prova e uma expiação.

375 – Qual é a situação do Espírito na loucura?

– O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria; encarnado, porém, encontra-se em condições muito diferentes e na contingência de só o fazer com a ajuda de órgãos especiais. Que uma parte ou o conjunto desses órgãos seja alterada, sua ação ou suas impressões, naquilo que concerne a esses órgãos, ficam interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo, etc. Imagina agora que o órgão que preside aos efeitos da inteligência e da vontade seja parcial ou inteiramente atacado ou modificado, e te será fácil compreender que o Espírito, não tendo mais a seu serviço senão órgãos incompletos ou desnaturados, deve lhe resultar uma perturbação, da qual, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita consciência, mas não é senhor para deter o curso.

– É então sempre o corpo e não o Espírito que está desorganizado?

– Sim, mas é preciso não perder de vista que, do mesmo modo que o Espírito atua sobre a matéria, esta reage sobre ele em uma certa medida, e que o Espírito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais  se  manifesta e  recebe  suas   impressões.  Pode acontecer que, com o tempo, quando  a  loucura  durou bastante, a repetição dos mesmos atos acabe por ter,  sobre o Espírito, uma influência da qual não se livra senão  depois de sua completa separação de todas as impressões materiais.

376 – Por que motivo a loucura leva, algumas vezes, ao suicídio?

– O Espírito sofre com o constrangimento que experimenta e com a impossibilidade, em que se encontra, de se manifestar livremente, por isso busca na morte um meio de romper os seus laços.