OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2083

elevados não se ocupam senão das comunicações inteligentes e instrutivas.

42. Médiuns sensitivos ou impressionáveis. – Designam-se assim as pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de toque leve sobre todos os membros, dos quais não podem se dar conta. Esta faculdade pode adquirir uma tal delicadeza que, aquele que dela está dotado reconhece, pela impressão que sente, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que está ao seu lado, mas mesmo a sua individualidade, como o cego reconhece, instintivamente, a aproximação de tal ou tal pessoa. Um bom Espírito causa sempre uma impressão doce e agradável; a de um mau, ao contrário, é penosa, ansiosa e desagradável; há como um cheiro de impureza.

43. Médiuns audientes. – Eles ouvem a voz dos Espíritos; algumas vezes, é uma voz íntima que se faz ouvir no foro interior; de outras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, entrar em conversação com os Espíritos. Quando têm o hábito de se comunicarem com certos Espíritos, eles o reconhecem imediatamente pelo som de sua voz. Quando não se é, por si mesmo, médium audiente, se pode comunicar com um Espírito por intermédio de um médium audiente que lhe transmite as palavras.

44. Médiuns falantes. – Os médiuns audientes, que não fazem senão transmitir o que ouvem não são, propriamente falando, Médiuns falantes; estes últimos, muito freqüentemente, nada ouvem; neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como nos médiuns escreventes agem sobre a mão. O Espírito, querendo se comunicar, se serve do órgão que encontra mais flexível; a um toma a mão, a um outro a palavra, a um terceiro o ouvido. O médium falante se exprime, geralmente, sem ter a consciência do que diz e, freqüentemente, diz coisas completamente fora das suas idéias habituais, de