O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 209

377 – O Espírito do alienado se ressente, depois da morte, do desarranjo de suas faculdades?

– Ele pode sentir algum tempo depois da morte, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que acorda se ressente algum tempo da perturbação em que o sono o mergulha.

378 – Por que a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito depois da morte?

– É uma lembrança; um peso oprime o Espírito e como ele não teve conhecimento de tudo o que se passou durante sua loucura, precisa sempre um certo tempo para se pôr ao corrente. É por isso que, quanto mais durar a loucura durante a vida, muito mais tempo dura a opressão, o constrangimento depois da morte. O Espírito liberto do corpo se ressente, algum tempo, da impressão dos seus laços.

DA INFÂNCIA.

379 – O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido como o de um adulto?

– Pode ser mais, se mais progrediu; não são senão os órgãos imperfeitos que o impedem de se manifestar. Ele age de acordo com o instrumento, com a ajuda do qual pode se manifestar.

380 – Em uma criança de tenra idade, o Espírito, pondo-se de lado o obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma criança ou um adulto?

– Quando ele é criança, é natural que os órgãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não podem dar-lhe a intuição de um adulto. Ele tem, com efeito, a inteligência muito limitada enquanto a idade faz amadurecer sua razão. A perturbação que acompanha a reencarnação não cessa subitamente no momento de nascer; ela não se dissipa senão gradualmente com o desenvolvimento dos órgãos.

Uma observação vem em apoio desta resposta: é que os sonhos em uma criança, não têm o caráter dos de um adulto; seu objeto é quase sempre pueril, o  que  é  indício  da  natureza  das preocupações do Espírito.