OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2103

campo de observação ainda novo, do qual seria presunção pretender haver sondado todas as profundezas, então que novas maravilhas se revelam sem cessar aos nossos olhos. No entanto, há fatos dos quais a lógica e as leis conhecidas demonstram a impossibilidade material. Tal é, por exemplo, o que está narrado na Revista Espírita do mês de fevereiro de 1859, página 41, sob o título de: Meu amigo Hermann. Trata-se de um jovem Alemão da alta sociedade, doce, benevolente, e do mais honrado caráter, que, todas as tardes, ao pôr-do-Sol, caía num estado de morte aparente; durante esse tempo, seu Espírito despertava nos Antípodas, na Austrália, no corpo de um bandido, que acabou por ser enforcado.

O simples bom senso demonstra que, supondo a possibilidade dessa dualidade corpórea, o mesmo Espírito não pode ser, alternativamente, durante o dia um homem honesto, e à noite um bandido num outro corpo. Dizer que o Espiritismo acredita em semelhantes histórias, é provar que não o conhece, uma vez que dá os meios de provar-lhes o absurdo. Mas, ao mesmo tempo que ele demonstra o erro de uma crença, prova que, freqüentemente, ela repousa sobre um princípio verdadeiro, desnaturado ou exagerado pela superstição; é a despojar o fruto da casca que ele se dedica.

Quantos contos ridículos não se fez sobre o raio, antes de se conhecer a lei da eletricidade! Ocorre o mesmo no que concerne às relações do mundo invisível; fazendo conhecer a lei dessas relações, o Espiritismo as reduz à realidade; mas essa realidade é ainda muito para aqueles que não admitem nem almas, nem mundo invisível; aos seus olhos, tudo o que sai do mundo visível e tangível é da superstição; eis porque denigrem o Espiritismo.

Nota. A questão muito interessante dos homens duplos e a dos agêneres, que a ela se liga estreitamente, foram relegadas, até aqui, para segundo plano, por falta de documentos suficientes para a sua inteira elucidação. Essas manifestações, tão bizarras que sejam, tão incrí