OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2106

Se nos lembrarmos, além disso, de sua propriedade muito conhecida de condensação, que lhe permite tornar-se visível sob as aparências corpóreas para os médiuns videntes, e mais raramente para quem se encontre presente no lugar para onde se transportou o Espírito, não se poderá mais colocar em dúvida a possibilidade dos fenômenos da ubiqüidade.

Está, pois, para nós demonstrado que uma pessoa viva pode aparecer, simultaneamente, em duas localidades distantes uma da outra; de uma parte com o seu corpo real, de outra com o seu perispírito momentaneamente condensado, sob as aparências de suas formas materiais. Não obstante, nisso de acordo, como sempre, com Allan Kardec, não podemos admitir a ubiqüidade senão quando reconhecemos uma semelhança perfeita na atuação do ser aparente. Tais são, por exemplo, os fatos citados precedentemente sob os nºs 1 e 2. Quanto aos fatos seguintes, inexplicáveis para nós, se lhes aplicando a teoria de ubiqüidade, nos parecem, senão indiscutíveis, pelo menos admissíveis encarando-os de um outro ponto de vista.

Nenhum dos nossos leitores ignora a faculdade, que possuem certos Espíritos desencarnados, de aparecer, sob as aparências materiais, em certas circunstâncias e mais particularmente aos médiuns ditos videntes. Entretanto, num certo número de casos, tais como nas aparições visíveis e tangíveis para uma multidão, ou para um certo número de pessoas, é evidente que a percepção da aparição não é devida à faculdade mediúnica dos assistentes, mas à realidade da aparência corpórea do Espírito, e, nessa circunstância como nos fatos da ubiqüidade, essa aparência corpórea é devida à condensação do aparelho perispiritual. Ora, se o mais freqüentemente os Espíritos, no objetivo de se fazer reconhecerem, aparecem tais como eram quando vivos, com as vestes que lhes eram mais habituais, não lhes é impossível se apresentarem, seja vestidos diferentemente, seja mesmo sob quaisquer traços, tal, por exemplo, o Duende de Bayonne, aparecendo, ora sob a